Escola viva


Projetos que transformam o contraturno em espaço de pertencimento e protagonismo
Resumo: Esta matéria apresenta a implantação de projetos no contraturno escolar como estratégia de ampliação das experiências formativas dos estudantes, promovendo engajamento, protagonismo e pertencimento. A iniciativa teve sua fase de pesquisa em 2025 e foi implementada em 2026, com foco nas áreas de Matemática e Linguagens. Os resultados iniciais indicam a ressignificação do contraturno como um espaço ativo de aprendizagem, convivência e expressão.
Uma escola mais viva e participativa
A escola contemporânea enfrenta o desafio de ir além da transmissão de conteúdos, assumindo o compromisso com uma formação integral que considere o estudante em suas dimensões cognitivas, sociais e emocionais. Com esse olhar, surge a proposta de projetos no contraturno escolar, com o objetivo de ampliar as oportunidades de aprendizagem e fortalecer o vínculo dos estudantes com a escola.
Segundo a equipe gestora envolvida na iniciativa, o foco está em tornar o estudante protagonista do próprio processo formativo: “A escola precisa ser um espaço onde o aluno se reconheça, participe e se sinta parte ativa do processo. O contraturno é uma oportunidade potente para isso” (COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA, 2026). A proposta teve início em 2025, com um período de estudo e análise de experiências em outras instituições, resultando em um projeto piloto implementado no início de 2026.
Da experiência à implementação
Para a construção da proposta, a equipe realizou uma visita técnica a uma escola em São José dos Campos, onde projetos semelhantes já estavam consolidados. A experiência contribuiu para a adaptação das ações à realidade institucional. Roberta, professora de Linguagens, destaca a mudança de perspectiva proporcionada pela vivência: “Foi um momento importante para perceber que o contraturno pode ser mais do que reforço: ele pode ser criação, protagonismo e descoberta” (OLIVEIRA, 2026).
Matemática: desafio e aprendizagem colaborativa
Na área de Matemática, destacam-se o Projeto Pi e a Monitoria entre alunos. O Projeto Pi oferece aos estudantes oportunidades de aprofundamento por meio de desafios matemáticos e atividades investigativas. “Aqui a gente aprende se divertindo. A gente precisa pensar, testar ideias e descobrir caminhos diferentes para resolver um problema, os exercícios são legais e difíceis na medida certa”, relata Bernardo Romagnoli, aluno participante (2026). Já a monitoria entre alunos promove a aprendizagem colaborativa, em que estudantes auxiliam colegas de outras turmas, fortalecendo competências socioemocionais, como empatia e liderança.
Linguagens e educomunicação: voz estudantil
Na área de Linguagens, o destaque é a criação de um ambiente em que a educação caminhe lado a lado com a comunicação, trazendo reflexões e práticas educacionais aos alunos sobre a importância de desenvolver habilidades na prática. Para isso, algumas ações foram tomadas, a primeira delas foi a criação de uma rádio escolar, a “Rádio IECJ - a voz que conecta a nossa escola”, uma cabine dedicada à criatividade e expressão. “A rádio me ajudou a me comunicar melhor. Gosto muito de falar e consegui melhorar até mesmo a minha escrita. Minhas redações estão melhores também”, destaca a aluna Lívia Mazzoco, do 6º ano. Foi inaugurada também a TV IECJ News, com um totem estrategicamente posicionado em que matérias produzidas pelos alunos do projeto são transmitidas semanalmente ao público interno. “No começo eu tinha insegurança em organizar o que ia falar na TV e agora percebo que a minha comunicação ficou mais madura. É muito legal participar!”, afirma a aluna Izadora Arra Almeida, do 6º ano. Além disso, os alunos experimentam a produção de comunicações impressas que são divulgadas nos jornais dos murais da escola e participam de ações estratégicas de comunicação para o público interno da escola, o que gera engajamento e interesse em aprofundar os conteúdos. “Eu aprendi que existem várias formas da gente se comunicar e que, para cada momento, você pode utilizar um tipo de recurso”, reforça Rafael Bueno, do 8º ano. “O aluno participa de todo o processo, desde a escolha das pautas até as sugestões de edição dos conteúdos, ações de marketing e engajamento, o que faz com que o projeto se torne um grande laboratório de comunicação da nossa escola”, afirma a professora Roberta Accardo. Integrando as ações, o projeto de Educomunicação surge como eixo estruturante, promovendo uma comunicação responsável, empática e alinhada a valores éticos e cristãos.
Considerações finais
A proposta dialoga diretamente com a concepção de educação integral. Como aponta Libâneo (2003), a escola deve integrar conhecimento e vida, possibilitando ao aluno atuar como sujeito ativo na construção do saber. Os primeiros resultados indicam maior engajamento e fortalecimento das relações interpessoais, ressignificando o contraturno como espaço de pertencimento.





Comentários